17/10/2011

Osteoporose - Mitos e Verdades




Dr. Lafayette de Azevedo Lage *

Osteoporose é uma doença caracterizada pela perda progressiva da massa óssea onde ocorre um risco maior para fraturas. Literalmente significa “osso poroso”. A doença se desenvolve silenciosamente durante muitos anos, sem sintomas, sem desconforto, até que uma fratura ocorra. Osteoporose frequentemente causa uma diminuição da estatura associada ao aparecimento de uma corcunda nas costas (cifose acentuada da coluna dorsal).


Quando então uma pessoa deve se preocupar com a osteoporose?

A osteoporose é um enorme problema de saúde pública. Com o crescimento da expectativa de vida, os gastos devem aumentar dramaticamente nas próximas décadas. A ausência de políticas públicas específicas para a terceira idade, especialmente na área da saúde, será cada vez mais sentida no Brasil, onde o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) acaba de mostrar que o envelhecimento da população é irreversível. Em 2020, o número de idosos no País será de 25 milhões de pessoas, 11% da população total – hoje o índice é de 9,3%.

Associada geralmente à terceira idade, a osteoporose é uma doença que pode se manifestar já na infância e cuja prevenção deve ser feita nos primeiros anos de vida. Adquirimos o pico de massa óssea por volta dos 20 anos de idade. O problema acontece quando esse pico não é atingido. Nosso esqueleto é uma verdadeira poupança de osso enquanto crescemos, isto é, até os vinte anos. A partir daí temos de manter está “poupança” (= massa óssea) estável. Uma dieta que tenha boa quantidade de cálcio – presente em alimentos como leite e derivados, peixes e verduras, por exemplo, a prática de atividades físicas e a exposição ao sol, fonte de vitamina D, são fatores fundamentais para que crianças e adolescentes desenvolvam a melhor qualidade possível de massa óssea nessa etapa da vida. Essas medidas podem ajudar decisivamente a evitar fraturas na idade adulta.

Como já dissemos, a osteoporose é uma doença esquelética caracterizada pelo comprometimento da resistência óssea, predispondo o indivíduo a um risco de fratura. O esqueleto humano é um tecido vivo e complexo que dá suporte aos músculos e proteção a órgãos vitais. Ele também armazena o cálcio, mineral essencial para inúmeras funções. Ao longo da vida, os ossos são constantemente formados e reabsorvidos. Na infância e adolescência, a formação ocorre mais rapidamente que a reabsorção até que o pico de massa óssea seja atingido. A partir daí, a reabsorção lentamente vai excedendo à formação. O organismo usa o cálcio dos ossos quando não há ingestão suficiente ou quando há necessidade adicional – como na gravidez ou na lactação.

Uma em cada duas mulheres e um em cada cinco homens acima de 65 anos terão fraturas secundárias à osteoporose! Muitas destas fraturas são dolorosas principalmente as do quadril, coluna, punho, braço e perna que frequentemente ocorrem após uma simples queda da própria altura. Entretanto, mesmo simples tarefas domésticas podem produzir fraturas das vértebras da coluna se os ossos estiverem enfraquecidos pela osteoporose e, neste caso, uma dor nas costas pode ser o sinal de uma fratura vertebral secundária à osteoporose. O diagnóstico e tratamento precoces devem ser iniciados para evitar um encunhamento maior da vértebra.


Menopausa

Os principais problemas decorrentes da osteoporose se manifestam na idade adulta, principalmente nas mulheres após a menopausa. “A mulher tem uma perda importante de estrógeno em muito pouco tempo”, explica a professora Rosa Pereira – o hormônio é indispensável para a conservação do osso. Rosa chama a atenção para uma mudança recente em relação ao uso da terapia de reposição hormonal (TRH) com estrógeno e progesterona. O estudo “Women’s health initiative”, publicado pelo Journal of the American Medical Association em 2002, mostrou que a TRH tem resultado positivo na prevenção da osteoporose e na redução de fraturas vertebrais e de quadril. Entretanto, aumentou muito o risco do surgimento de doenças coronarianas e de câncer de mama nas mulheres que utilizavam a terapia. “No momento não se recomenda a TRH se for apenas para o tratamento de osteoporose”, diz a professora. “Há outras opções que tratam a doença com menor risco”.


Maior parte das quedas ocorre em casa

A osteoporose é uma doença silenciosa, pois a perda óssea pode ocorrer sem sintomas – até mesmo fraturas vertebrais podem não ser notadas. Prevenir as fraturas decorrentes de quedas é a principal medida para evitar as consequências da osteoporose, principalmente entre as pessoas mais idosas. Em primeiro lugar, é preciso lembrar que a maioria dos acidentes ocorre dentro de casa. Por isso, medidas simples e práticas devem ser tomadas na própria moradia. Rever hábitos alimentares e de vida também é importante. Veja abaixo algumas recomendações:

·       não ter pequenos tapetes soltos pela casa para evitar escorregões e tropeços;
·       deixar alguma luz acesa à noite para o caso de precisar se levantar, e ter cuidado na hora de sair da cama;
·       se possível, cortar o uso de medicamentos que provoquem sonolência;
·       instalar corrimãos e barras, inclusive no box do banheiro, para ajudar no deslocamento;
·       não deixar o piso da casa muito liso ou encerado; optar por pisos antiderrapantes;
·       evitar subir em escadas ou cadeiras para pegar objetos em cima de armários ou lugares altos. Sempre que possível, pedir ajuda;
·       usar sapatos ou chinelos confortáveis, com solado antiderrapante;
·       na rua, usar sapatos sempre bem amarrados e só subir nos ônibus quando eles estiverem completamente parados;
·       praticar alguma atividade física faz parte da prescrição médica – por exemplo, caminhadas de 40 minutos, três a quatro vezes por semana;
·       a alimentação deve ser equilibrada e rica em cálcio, principalmente pela ingestão de leite e derivados, peixe e verduras;
·       exposição frequente ao sol (fonte de vitamina D); embora não necessariamente por períodos longos;
·       abandono do álcool e cigarro. Estudos demonstram que mulheres que fumam um maço por dia atingem a menopausa com um déficit de 5% a 10% de densidade óssea, o suficiente para aumentar o risco de fratura. A mulher fumante tem a menopausa um a dois anos mais cedo e perde massa óssea mais rapidamente do que a não-fumante.


* Dr. Lafayette de Azevedo Lage é diretor da Clínica Lage, Mestre em ortopedia pela FMUSP, Especialista em Medicina Esportiva pela UNIFESP e Fellow Honorário da Universidade de Cambridge – Inglaterra.



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